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Assim como em uma pintura,slots gol apk - o texto jornalístico é carregado de intencionalidade. Cada cor usada e cada traço constroem uma narrativa. O resultado da tela, portanto, traz a imagem daquilo que quem a criou quer exibir, mas também pode revelar suas referências, cultura e interesses. No jornalismo, não é muito diferente. Cada texto se vale de técnicas e escolhas que, a cada rabisco, deixam escapar sua intenção.

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Olhar com atenção para a escolha de cores na aquarela de cada publicação da imprensa é um dos desafios da série Vozes Silenciadas sobre a “CPI do MST”, realizada pelo Intervozes com o objetivo de acompanhar a cobertura midiática em relação ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no período relacionado aos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), instalada na Câmara em 17 de maio.

Para além dos dados resultantes desta pesquisa, é fundamental neste tipo de trabalho fazer uma leitura crítica da mídia, esmiuçar o texto, desvendar sua intencionalidade. A pesquisa tem acompanhado as publicações de seis mídias privadas (O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, O Globo, Jornal Nacional, R7 e Agromais) e uma pública (Agência Brasil).

A escolha das palavras

A primeira decisão política de um/a jornalista e do veículo para o qual trabalha tem que tomar quando começa a produzir conteúdo sobre o MST é: usar o termo invasão ou ocupação? De acordo com os primeiros resultados da pesquisa, analisando a cobertura dos dias 17 e 18 de abril, o termo “invasão” foi usado em 100% das matérias. Em 86,4% delas, a narrativa causava uma impressão negativa em relação ao MST.

Segundo o movimento, “os sem-terra não invadem propriedades, mas ocupam terras sem função social”. Em nota, o MST diferencia os termos e apresenta sua justificativa. Portanto, quando um veículo utiliza o termo “invasão”, ele simplesmente ignora o argumento do MST. Ou seja, não importa que o termo não seja consenso na sociedade, nem aquilo que os sem-terra reivindicam.

O que poderia fazer, então, um/a jornalista ao escrever sobre o MST, na inglória missão de simular uma imparcialidade, diante de dois termos tão carregados de simbolismo ideológico e fundamento jurídico? Tentar a sorte ou perguntar pro chefe? Seja qual for o resultado do “unidunitê”, a palavra vencedora automaticamente posicionaria a matéria em determinado campo político.

Perguntar pro chefe é perda de tempo, pedra cantada. Mais do que uma decisão individual, trata-se da reprodução de interesses político-econômicos das empresas jornalísticas, em geral, defensoras da propriedade privada e do agronegócio.

Quem sabe a solução seria, então, problematizar os dois termos? Pois quando a imprensa faz o contrário, dá a disputa como dada, ignora a reivindicação de quem diz “espera aí, refaça sua pergunta, porque nem de invasão se trata”, finge que não há uma disputa em aberto e elege a palavra “invasão” para se referir ao MST, significa que ela já escolheu um lado, que o texto jornalístico já está enviesado por uma escolha política.

A escolha das fontes

A decisão de ouvir determinadas fontes, em detrimento de outras, é também opção do veículo e que revela suas intencionalidades. Além disso, a quantidade de fontes citadas em uma matéria e a sua disposição ao longo do texto também vão construindo certo posicionamento na narrativa.

Nesse sentido, a cobertura da CPI chama a atenção pelo notório desequilíbrio entre fontes, com ampla publicação de ataques ao MST. Em três exemplos de matérias do Estadão publicadas nos dias 17 de abril (“MST invade área de pesquisa da Embrapa em Pernambuco, sede do Incra e fazendas em diversos Estados”), 23 de maio (“Os planos de Ricardo Salles para investigar o MST na CPI”) e 20 de junho (“CPI do MST aprova convocação de Stédile e José Rainha, líderes de movimentos de sem-terra”), apenas pessoas contrárias ao MST foram ouvidas.

Mas só ouvir fontes com diferentes posicionamentos não é suficiente para trazer equilíbrio à matéria. Para uma leitura crítica, é importante observar o espaço que cada uma delas tem no texto. Outro exemplo vem do Jornal da Record, que no dia 31 de maio noticiou a participação do governador de Goiás Ronaldo Caiado (União Brasil) na CPI. A reportagem durou 2 minutos e 38 segundos, dos quais cerca de 1 minuto serviu de palco para que Caiado acusasse o MST de envolvimento com o tráfico de drogas.

Ao final da matéria, o apresentador citou um trecho de nota enviada pelo movimento, com duração de 5 segundos. Ou seja, apesar de ouvir o MST, a flagrante desproporção de tempo causa um desequilíbrio e revela a intenção do veículo de visibilizar ataques.

Outra análise possível está relacionada ao que se apura a partir das falas consultadas. Um exemplo foi a cobertura da manifestação do MST em uma área reivindicada pela Suzano Celulose, no dia 17 de abril. O episódio foi amplamente noticiado, com a mídia privada promovendo a narrativa de repúdio ao MST.

Algumas mídias até chegaram a ouvir o movimento, a exemplo da Folhae do Jornal Nacional, e publicaram a versão de que a área teria sido ocupada por pertencer ao patrimônio público, que havia sido grilada pela Suzano.

Essa justificativa faz toda a diferença. Se verídica, desmontaria completamente a narrativa da própria mídia em defesa da propriedade privada e contra “invasões”, afinal, a empresa é quem teria invadido a área. O que recomendaria, portanto, o manual básico do jornalismo? Apurar o que foi dito pela fonte.

Ou seja, por princípio jornalístico, os veículos deveriam ir atrás dessa informação e buscar documentos e fatos que comprovassem ou refutassem as denúncias feitas pelo MST. No entanto, as mídias preferiram reproduzir uma nota da Suzano em que afirma estar dentro da lei. Assim, o posicionamento da empresa foi suficiente para os veículos ignorarem as justificativas do movimento e tratarem o MST como o verdadeiro invasor e criminoso.

Vozes Silenciadas

Uma leitura crítica das publicações analisadas pelo Vozes Silenciadas já aponta o uso de técnicas jornalísticas para a construção de uma narrativa contrária ao MST. Trata-se, porém, de uma análise preliminar, uma vez que a pesquisa está em andamento e que os veículos também possuem diferenças entre si. Mas até o momento já é possível perceber uma unanimidade da mídia comercial em ignorar a tese de ocupação do MST e emplacar termos que associem o movimento a crimes e violência.

Também há uma tendência na promoção de fontes ligadas ao agronegócio, em especial membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em detrimento de fontes vinculadas ao MST. São citadas com frequência falas do relator e do presidente da CPI, respectivamente, Ricardo Salles (PL) e Coronel Zucco (Republicanos), além de membros da FPA, em especial Pedro Lupion (PP) e Evair de Melo (PP). Também se nota o desequilíbrio de fontes e até mesmo o uso da desinformação por alguns veículos.

Nesse contexto, são invisibilizados pela mídia diversos temas que orbitam a CPI e a própria atuação do MST. São raras as matérias que apresentam as reivindicações do Movimento e há uma ausência de pautas relacionadas a crimes ambientais, reforma agrária e agricultura familiar.

A CPI poderia ser uma oportunidade para a mídia nacional debater temas essenciais ao país, como as desigualdades no campo e os conflitos agrários. No entanto, essas pautas parecem não ter despertado a curiosidade dos veículos. Ou não lhes interessa tocar nesses assuntos.

Alex Pegna Hercog é comunicador social e integrante do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
A série Vozes Silenciadas – Quem quer calar a luta dos sem-terra? é produzida pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Coordenação: Mônica Mourão. Pesquisa: Alex Pegna Hercog e Eduardo Amorim. Colaboração: Olívia Bandeira e Pedro Vilaça

Edição: Rodrigo Durão Coelho


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